top of page

Crise Orçamentária na Força Aérea Brasileira: Frota Reduzida, Missões em Risco e Modernização Comprometida

  • Foto do escritor: Anderson Gabino
    Anderson Gabino
  • 1 de jul.
  • 3 min de leitura
Por: Anderson Gabino

A Força Aérea Brasileira (FAB) enfrenta, em 2025, uma das maiores crises operacionais de sua história recente. O corte de R$ 2,6 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa (MD) – parte de um bloqueio fiscal mais amplo do governo federal – afetou drasticamente a capacidade da FAB de operar, manter sua frota e garantir o preparo de seu efetivo. As consequências já são sentidas em áreas críticas como abastecimento, manutenção e operações estratégicas.


Impactos diretos nas operações aéreas


Mais de 50% da frota da FAB está no chão. De cerca de 600 aeronaves no inventário, menos de 250 permanecem operacionais. Esse número é alarmante para uma força responsável por patrulhar um dos maiores espaços aéreos do planeta e operar em missões que vão desde a interceptação de tráfegos ilícitos até apoio humanitário em situações de calamidade.

ree

Além disso, a redução drástica das horas de voo, que já caiu de 155 mil para algo entre 95 e 115 mil horas anuais, compromete a proficiência de pilotos e a capacidade de resposta da FAB. Segundo especialistas, o patamar mínimo para manter o treinamento adequado seria de pelo menos 150 mil horas por ano.


Frota comprometida por falta de manutenção


A falta de peças e recursos para manutenção é outro ponto crítico. Atualmente mais da metade dos 60 A-29 Super Tucano – principal aeronave de ataque leve e patrulha da FAB, usada intensivamente na Amazônia e na Operação Ostium – encontra-se inoperante. Esta aeronave é crucial no combate ao narcotráfico e na proteção das fronteiras brasileiras.


  • Função: Interdição, apoio aéreo aproximado e patrulhamento na Amazônia

  • Impacto: Operações de fronteira e combate ao tráfego ilícito severamente comprometidas.


F-5EM/FM Tiger II, que ainda são os principais caças de defesa aérea do país, operam no limite. Apesar de terem passado por modernizações no início da década passada, são aeronaves com mais de 40 anos de serviço, com estrutura limitada e alta dependência de manutenção constante.

  • Função: Defesa aérea primária,

  • Status: Elevado custo de manutenção, obsolescência estrutural

  • Impacto: Redução da capacidade de interceptação em tempo de paz e conflito.


ree

AMX A-1M, dedicados a missões de ataque ao solo e reconhecimento, enfrentam um cenário ainda mais difícil. O programa de modernização, que visava ampliar a vida útil da aeronave até 2032, foi cancelado por falta de recursos, deixando várias unidades fora de operação.


  • Função: Ataque ao solo, reconhecimento armado

  • Status: Programa de modernização cancelado

  • Impacto: Redução da capacidade de apoio tático em cenários de conflito convencional.


KC-390 Millennium, o mais moderno avião militar de transporte da FAB, continua em produção, mas com entregas ameaçadas por restrições orçamentárias. A aeronave é estratégica para o transporte logístico e missões humanitárias, e o Brasil comprometeu-se internacionalmente com a Embraer na aquisição de até 28 unidades – número que já foi revisto para menos da metade.


  • Função: Transporte estratégico, reabastecimento em voo

  • Status: Entregas comprometidas, produção ajustada

  • Impacto: Logística operacional e apoio a desastres naturais comprometidos.


Gripen E (F-39), caça de geração 4.5 fabricado pela Saab em parceria com a Embraer, está em fase de recebimento. Contudo, os cortes colocam em risco a continuidade do programa e a entrega das unidades dentro do cronograma. Atualmente, apenas 6 aeronaves operam no Brasil, número insuficiente para cobrir todas as necessidades de defesa aérea do país.


ree

  • Função: Defesa aérea moderna e dissuasão

  • Status: 6 unidades recebidas; entrega plena ameaçada

  • Impacto: Postergada consolidação da nova geração de superioridade aérea.


Abastecimento e logística no limite


A situação do combustível é igualmente crítica. Fontes internas revelam que já há dificuldades em garantir combustível para voos de transporte presidencial e de autoridades – que têm prioridade legal. Missões de reabastecimento aéreo, treinamento de pilotos e até evacuações aeromédicas estão sendo reprogramadas ou suspensas.


Consequências estratégicas


Essa conjuntura compromete não apenas a capacidade de dissuasão militar do Brasil, mas também coloca em risco:


  • A defesa do espaço aéreo, principalmente em regiões sensíveis como a Amazônia Legal e fronteiras com o tráfico de armas e drogas.

  • A resposta a desastres naturais, como enchentes, onde a FAB normalmente atua no resgate aéreo, entrega de suprimentos e transporte de vítimas.

  • A formação e retenção de pessoal qualificado, já que muitos pilotos, engenheiros e técnicos estão migrando para o setor privado diante da baixa atividade e da falta de perspectiva de carreira.


ree

Soberania em xeque


A redução da capacidade operacional da FAB afeta diretamente a soberania nacional. Sem uma força aérea equipada e treinada, o país se torna vulnerável a ameaças externas e internas, além de depender mais de acordos internacionais e ajuda externa em situações de emergência.



Comentários


bottom of page